Dando continuidade ao nosso ultimo
post sobre obesidade infanto-juvenil, hoje abordaremos um pouco mais sobre a
influência propagandista que contribui para a grande pandemia de obesidade que
assola todo o mundo.
No filme muito além do peso,
mostrado e abordado na postagem passada, assistimos todo o tempo a propagandas
de algumas empresas alimentícias. Percebe-se que essas propagandas apresentam
sempre imagens super coloridas, em ambientes felizes, músicas cativantes
alegres, e, em algumas empresas de fast foods, há sempre a apresentação de
brinquedos de personagens de filmes infantis. Tudo isso, para a criança, é um
chamativo para a diversão, e não para comida, sendo esta apenas a conseqüência final
de todo o processo persuasivo.
Em uma pesquisa feita por
cientistas da universidade de Missouri, conclui-se que a publicidade midiática
em uma alimentação rica em açúcar ou sódio afeta mais as crianças obesas do que as que têm peso normal. Crianças com peso acima do adequado tiveram ativações maiores
em regiões cerebrais responsáveis por recompensar, quando
eram vistas as marcas dos alimentos. Por
outro lado, crianças com peso saudável tiveram maiores atividades em áreas
que estavam ligadas com o autocontrole. Isso evidencia um efeito cascata, no
qual a obesidade infantil só tende a aumentar em crianças já obesas.
Em propagandas e informações
nutricionais de fast foods, nunca aparece o nome açúcar como um dos
ingredientes (principal ingrediente na verdade), e sim, carboidratos. De fato,
está correto, contudo, a empresa é responsável por atingir um grande
contingente de pessoas das mais diversas classes sociais e muitas não possuem
conhecimento do que seja carboidrato ou que açúcar é carboidrato, como se vê no
filme Muito além do peso. Os carboidratos possuem grande capacidade metabólica:
são importantes na respiração aeróbica e nos diversos tipos de fermentação,
visto que a glicose pode se transformar em glicose 6P e ir de encontro a diversas
vias metabólicas distintas como via das pentoses, glicólise (piruvato),
gliconeogênese entre outros. Em excesso, o estoque em glicogênio fica saturado
e carboidratos passam a se transformar em tecido adiposo contribuindo para a
obesidade.
Conclui-se, portando, que propagandas
estão extremamente abusivas, pois oferecem um produto nocivo a saúde enquanto
utilizam recursos persuasivos, como brinquedos, de forma a alienar a criança e
o jovem e o induzir a consumir o produto. Televisões em casa, são, hoje, as babás
das crianças, contudo, é necessário saber que, junto com seu filho não está apenas
uma TV, e sim um grande produtor de marketing formado em Harvard sedento de
lucro. Cabe a nós e ao governo, discutir esse pensamento, a fim de ajudar a
redução da obesidade infanto-juvenil como um todo.

É bem importante observar essa realidade uma vez que este tipo de publicidade é considerada abusiva, pois se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança para induzi-la ao consumo do produto. Já houve, até mesmo, algumas tentativas de proibir a venda de sanduíches acompanhados de tais produtos de apelo infantil, mas que pouco avançaram, devido à grande influencia financeira (e que acaba se transferindo para o meio político) que essas grandes empresas de fast food tem.
ResponderExcluirEm uma pesquisa do Datafolha para identificar a opinião de pais e mães de crianças de até 11 anos sobre o impacto da publicidade de cadeias de fast food em seus filhos, 79% apontou que esse tipo de publicidade prejudica os hábitos alimentares dos pequenos e dentre esses, 76% acham que os comerciais dificultam os esforços dos pais para educar o filhos a se alimentarem de forma mais saudável. Dessa forma, além do efeito imediato de prejudicar a alimentação das crianças, fazendo-os consumir uma quantidade excessiva de açúcares que irão virar lipídeos, eles acabam sendo mal-educados de forma geral sobre que hábitos alimentares são os mais adequados, tornando-se assim adultos tendenciosos a continuarem com os mesmos hábitos.
ResponderExcluirAs crianças de hoje pressionam os pais para comprar esse ou aquele produto ou marca de sua preferência. Algumas organizações não governamentais (ONGs) sediadas nos EUA saíram na frente iniciando uma campanha contras as corporações (multinacionais ou transnacionais) que usam as crianças e adolescentes para promover produtos por meio da pressão ou azucrinação (“nagging”) dos familiares. Assim, vemos que é importante o Brasil evoluir na luta contra a manipulação infanto-juvenil, pois se até mesmo a alimentação deles está sendo controlada, a personalidade não será um alvo difícil. O McDonald’s tem sido um alvo de duras críticas durante anos a fio por conta de suas táticas de marketing e vendas do McLanche Feliz para as crianças.
ResponderExcluirLevanto em conta o principal meio de persuasão da indústria alimentícia infantil de fast food - tornar a comida apenas o resultado de um processo persuasivo ligado à diversão - seria interessante propor aos agentes responsáveis pela educação alimentar infantil uma abordagem semelhante a essa. Atualmente, grande parte da publicidade educativa é voltada para a apresentação dos malefícios da obesidade infantil. Só que esse tipo de publicidade funciona muito mais nos pais do que nos filhos. É necessário que a criança queira mudar seus hábitos, e ela tem que achar o processo divertido, caso contrário a mudança não será totalmente aceita.
ResponderExcluirVale ressaltar os perigos do sódio, pois quando o sal entra no corpo, ele é absorvido pelo intestino e vai direto para o sangue. Se é consumido em grande quantidade, cai na mesma proporção nos vasos. Como a água do corpo é sugada pelo cloreto, o organismo, na tentativa de manter o equilíbrio e normalizar a falta de água, eleva a pressão arterial para aumentar fluxo de sangue circulando.
ResponderExcluirUm dos principais determinantes do sobrepeso e da obesidade em crianças e adolescentes é o seu tempo de exposição à televisão. Um estudo canadense aponta que cada hora adicional à qual uma criança entre dois e quatro anos é exposta semanalmente à TV poderia aumentar em meio milímetro sua circunferência abdominal e consequentemente reduzir seu tônus muscular.
ResponderExcluirOu seja, precisamos incentivar as crianças a praticar atividades ao ar livre, reduzindo assim o seu tempo de exposição aos comerciais da televisão, bem como o seu sedentarismo. Além disso, com a prática de atividades aeróbicas, as reservas de triacilgliceróis serão queimadas e, se efetuadas juntamente com refeições balanceadas, a criança ou adolescente perderá peso.
Além do exagerado apelo midiático sobre a alimentação baseada em açúcares e alimentos gordurosos, esses alimentos são mais "palatáveis" às crianças(devido à maior sensibilidade das papilas gustativas ao açúcar)o que torna quase impossível a uma criança contemporânea não consumir tais produtos. E caso ela faça tal escolha de abster-se desses alimentos, será certamente taxada pela sociedade e até pela própria família de "estranha". À pressão midiática soma-se a pressão social de ser aceito no grupo.
ResponderExcluirA pergunta a se fazer é: se a mídia influencia fortemente a nós, adultos esclarecidos, a que ponto ela influencia crianças? É inegável que essa influência é mais que alta, é transbordante. É tolerável quando a intenção é vender brinquedos, no entanto, é indiscutível quando se trata de vender comidas que fazem mal a qualquer saúde. Essa ingestão exagerada de carboidratos, principalmente em forma de açúcar, já faz, na atualidade, um número exorbitante de crianças serem diabéticas. Já existe no Congresso Nacional um projeto de lei, que visa regulamentar propagandas direcionadas a crianças, criando assim, limites para tal. Entretanto, projetos de lei como esse precisam do apoio populacional para andarem.
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