sábado, 2 de agosto de 2014

       Como postagem final a respeito da influência da mídia na fome social, faremos um aparato de quatro estratégias midiáticas para a adesão do consumidor, relacionando-os a exemplos reais e seus possíveis efeitos no organismo:

DISTRAÇÃO
Um dos principais componentes do controle da opinião pública é a estratégia da distração fundamentada em duas frentes:
  • Primeiro, desviar a atenção do público daquilo que é realmente importante oferecendo uma avalanche de informações secundárias e inócuas, que como uma cortina de fumaça esconde os reais focos de incêndio.
  • Em segundo, distrair o público dos temas significativos e impactantes tanto na área da economia  quanto da ciência  e tecnologia (tais como psicologia, neurobiologia, cibernética, entre outras).
Quando mais distraído estiver o público menos tempo ele terá para aprender sobre a vida e/ou para pensar.
Exemplo: algumas propagandas do McDonald's, ao mostrar o produto a ser consumido, fizeram todas um apelação para a natureza, em um ambiente bucólico e sinestésico, distraindo o consumidor, enquanto mensagens subliminares de comprar o produto estavam sendo lançados.
  
MÉTODO PROBLEMA-REAÇÃO-SOLUÇÃO.
Cria-se um problema ou uma situação de emergência ou aproveita-se de uma situação já criada cuja abordagem dada pela mídia visa despertar uma determinada reação da opinião pública.
Tal reação demanda a adoção de medidas imediatas para a solução da crise.
Usualmente tais medidas já estão praticamente prontas e são aplicadas antes que a população se dê conta de que essa sempre fora a meta primordial.
 Exemplo: aquelas propagandas, nas quais dizem estar fazendo uma ação filantrópica, como: "comprando nossos produtos, vocês estão ajudando a plantar mais dez árvores no mundo"

SENTIMENTALISMO E TEMOR
Apelar para o emocional de forma ou sentimentalista ou atemorizante com intuito de promover um atraso tanto na resposta racional quanto do uso do senso crítico. 
A utilização do registro emocional permite o acesso ao inconsciente e  promove um aumento da suscetibilidade ao enxerto de ideias, desejos, medos e temores, compulsões, etc. e à indução de novos comportamentos.
 Exemplo: aquelas propagandas da coca-cola, nas quais há um sentimentalismo forte de nacionalismo, com uma música de fundo que desperta fraternidade e sensibilidade.

APELO AO DESEJO DO PÚBLICO ALVO
Visa-se bem o público alvo a ser atingido e é posto a ele, diversos fatores que o agradam ou que percorrem sua mente.
Exemplo: uma propaganda da Ruffles, que disse que para "construir um nova fórmula Ruffles" entrou na mente dos jovens e viu seus desejos. Então diversas imagens de homens e mulheres  de bom visual, cenas de insinuações sexuais e bens materiais típicos de jovens apareceram no comercial.

           Haja vista que todas essas estratégias mexem com a mente e o inconsciente das pessoas, alguns efeitos metabólicos são proporcionados por isso. Como há o despertar imediato do desejo de comprar e consumir o produto, e uma certa "empolgação", alguns níveis de adrenalina no organismo são liberados. A adrenalina tem papel ativador sobre o AMPc que participa da regulação da glicogênio fosforilase, enzima responsável pela glicogenólise. O AMPc ativa a enzima glicogênio quinase (B para A) que por sua vez converte a glicogênio fosforilase a sua forma ativa (B para A). Ela. por sua vez quebrará o glicogênio em glicose, que será utilizada pelo corpo. Logo, o estoque de glicose precisaráser reposto, gerando fome e o desejo de comer pela grelina, até que os níveis de glicose estejam repostos e o glicogênio seja novamente formado. Logo, pode-seconcluir, meio que a grosso modo: a manipulação midiática causa  sensação de fome no organismo!!
           É necessário que estejamos atentos aos apelos midiáticos e que possamos, em termos das propaganda alimentícias, controlar-mos nossos instintos de consumidor e levar uma vida mais saudável. A mídia, ao tempo e que soma em nossa sociedade, ela a torna decadente. Logo, precisamos agir para que futuramente, não seja muito tarde. Então cabe-se uma reflexão: que medidas podemos fazer para refrear o acesso a propagandas enganosas e manipuladoras que fazem mal a população? Nós ou o governo que deve agir? Algo, no entanto, é certo, somos todos vulneráveis e influenciados. Até próximo semestre e obrigado por acompanhar o blog!


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Um papel "anormal" da mídia

Durante todo o blog nós abordamos diversos parâmetros da mídia, e sua influência na nossa alimentação. Esses parâmetros, em sua maioria, apenas foram direcionados ao consumo de fast foot, e, consequentemente, obesidade e doenças cardiovasculares. Entretanto, hoje abordaremos um papel incomum da mídia, ou seja, algo que foge um pouco dos parâmetros já apresentados, ou seja, aborda uma pequena minoria diante de tantos casos de obesidade.
Falaremos hoje da mídia manipuladora do corpo, na qual o padrão de um corpo perfeito retratado em telenovelas e alguns comerciais impacta uma parte significativa da população. Nesses casos, em vez de obesidade, retrata-se casos extremamente contrários como transtornos de magreza excessiva, anorexia e bulimia, como casos mais comuns. Percebe-se, portanto, que a mídia  possui um poder antagônico, no qual indivíduos distintos, através da capacidade pensante de cada um, é influenciado de uma forma diferente pela mídia.
Em postagens anteriores falei de um pequeno mecanismo que influencia a obesidade infantil. Algumas crianças, quando assistem propagandas que contém alimentos ricos em sódio e açúcar tem ativações maiores em regiões cerebrais  responsáveis por recompensar, ativando, por meio de estímulos nervosos a mucosa gástrica que produz grelina, hormônio estiulador da fome. Entretanto, outras crianças ativam regiões cerebrais responsável pelo autocontrole, estimulando liberação de leptina, hormônio da saciedade. Acredita-se que essas características de cada criança se perdure no adulto, e aquelas que ativam o autocontrole tendem a temer um corpo "não-ideal" do padrão midiático causando os distúrbios citados acima.

Quantas vezes não vemos em seriados, filmes e propagandas nas quais o idoso e o gordo são vistos como um fator nada atrativo na sociedade contemporânea. O magro, o corpo escultural e a juventude são sempre valorizados diante dos canais midiáticos, criando padrões estéticos a serem seguidos pela sociedade a risca, mesmo que isso signifique por em risco saúde e bem estar.
É necessário a ampliação do tema, afim de diminuir alguns desses transtornos psicóticos que são de extrema periculosidade, visto que levam a desnutrição corporal, na qual nutrientes essenciais são perdidos pela nao ingestão ou digestão durante a alimentação, podendo levar o doente a óbito.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Manipuação midiatica - Teroria de Bourdieu

Pierre Bourdieu é um filósofo que nasceu na França e foi docente na  École de Sociologie du Collège de France. Desenvolveu, ao longo de sua vida, diversos trabalhos abordando a questão da dominação e é um dos autores mais lidos, em todo o mundo, nos campos da antropologia e sociologia, cuja contribuição alcança as mais variadas áreas do conhecimento humano, discutindo em sua obra temas como educação, política, cultura, mídia e arte.
Antes de chegar  na conclusão feita por Bourdieu devemos saber que em seus estudos, concluiu que são os
mecanismos de reprodução social que legitimam as diversas formas de dominação. Verificou-se que a violência simbólica permeia também os meios de comunicação, que a mídia exerce influência na formação
da opinião pública, porém com certas restrições, e que os propósitos de Bourdieu são importantes na análise do papel da mídia na formação da opinião pública.
Afinal, a opinião pública nas democracias contemporâneas é uma influência legítima ou não nas decisões de governo? Opinião Pública é a expressão de opiniões do público a respeito de temas de interesse comum. Ou seja, quando uma roda de amigos discute para saber onde comer, por exemplo, discutindo qual seria o melhor fast-food, levando em conta sabor do alimento, atendimento e o local, e as promoções que eles viram na mídia, há uma formação de opinião pública sendo evidenciada. Geralmente a opinião pública raramente pega aspectos relevantes e aprofundados de algum caso, visto que à sociedade é mostrado apenas interesses de algumas partes, sendo muitas vezes falacioso ou superficial. Logo, é por essa razão que  não se vê essa suposta rodinha de jovens atentos ao prejuízo  nutricional e de saúde que essas idas a um fast food pode causar para sua saúde e condicionamento, e que por trás de tudo, está um grande empresário apenas sedento de lucro.

Dessa forma, Bourdieu expressa o conceito de violência simbólica, na qual a alienação do indivíduo, influenciada por terceiros é responsável por refletir nas condições mentais e físicas do indivíduo. Pegando o exemplo mídiático na influencia da fome social, as possíveis tendência ao acúmulo de tecido adiposo (via de síntese de ácidos graxos e triacilgliceróis ativadas) e consequente aumento da obesidade, não são levadas em conta pelos indivíduos que consomem as coisas oferecidas pelas propagandas.

Por fim, pode-se apontar que a violência simbólica exposta por Bourdieu permeia, também, os meios de comunicação, na medida em que determinadas emissoras de TV, jornais, rádios, entre outros,
noticiam e enfatizam determinados eventos que acabam influenciando nos demais. Este fato pode ser facilmente comprovado nos dias atuais, com a globalização, que leva à crença de haver certa homogeneização das informações, ou seja, basta assistir noticiários de diferentes 20 emissoras de TV, para constatar que a grande maioria das notícias são praticamente iguais. Assim, os pressupostos propostos por Bourdieu são importantes na análise do papel da mídia na formação da opinião pública, por desvincular o foco central da análise da questão econômica. Portanto, a mídia exerce influência na formação de opinião
pública, porém com certas restrições de cunho cultural e religioso, contudo abrange largamente os de cunho alimentício e de consumo.

domingo, 13 de julho de 2014

Inflência da mídia na sociedade - aspectos gerais

Até agora, vimos diversos aspectos midiáticos no que se ´pauta exclusivamente na alimentação das pessoas. Entretanto, a mídia vai muito além disso, e suas outas influências também contribuem para a atual congestura da fome social.
A sociedade passou por momentos de grandes mudanças na década de 90 principalmente, que influenciaram a mudança do comportamento do consumidor em relação ao consumo alimentar:
  • Aumento da entrada da mulher no mercado de trabalho, com diminuição do tempo para o preparo de alimentos
  • Processo acelerado de urbanização das populações rurais
  • globalização
  • Alteração da composição familiar, assim como o sexo dos chefes familiares e do nível educacional
A modificação dos preços e das rendas deslocam o percentual dos recursos destinados à compra de produtos industrializados dentre os itens de gastos familiares. Entretanto, a maioria das pessoas nao se baseiam no valor nutricional dos alimentos e sim com a capacidade de se "matar a fome".
Apesar da comunicação estar garantida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a mídia, por ser e ter um poder concentrado como agente de socialização e formador de opinião nem sempre contribui para a garantia desses  direitos à comunicação, haja vista que pode legitimar desigualdades, reforçando a exclusão dos pobres, que não possuem muito acesso a maiores informações que aquelas perpassadas pela TV. Isso justifica poque pessoas de classes mais baixas são mais propensas a serem obesas, elas não conseguem discernir valores nutricionais  por falta de informação e acabam comendo diversos alimentos calóricos ricos principalmente em lipídeos e carboidratos.
Dessa forma, consumir ou não consumir torna-se um problema na sociedade de risco, visto que a autogeração da sociedade e suas condições sociais causam o problema. Próxima postagem abordaremos quais seriam as possiveis soluções para o problema da mídia na fome social.

sábado, 5 de julho de 2014

Nesta postagem, abordaremos, mais especificamente, os propósitos das propagandas para com os seus produtos e telespectadores. A razão mais óbvia da propaganda é a informação. Através da propaganda, as empresas podem anunciar produtos ou serviços, novos e já existentes, que elas estão tentando vender para o público. Da mesma forma, uma nova companhia pode usar a propaganda para informar ao público sobre seu negócio.
A propaganda é uma estratégia usada para agarrar a atenção dos clientes em potencial, através do uso de técnicas de linguagem e comunicação que conquistam os clientes. É preciso também ter em mente, que por trás de tudo isso, estão diversos empresários milionários e experientes sedentos por lucros, que são capazes de trair conveniências éticas e morais para aumentar cada vez mais seu monopólio de capital.
Simplesmente informar o cliente é ineficaz, fazendo-se necessário persuadir o cliente para comprar. Uma linguagem estratégica e uma imagem em um comercial ajudam a destacar os pontos fortes de um produto ou serviço, que acabam por influenciar nas decisões de compra do cliente. Essa persuasão também é garantida repetição, a imagem da propaganda, inconscientemente fica armazenada na sua mente, é interpretada pelo córtex cerebral e, a partir de vias talâmicas são estimuladas glândulas que produzem hormônios que nos despertam interesse em possuir determinado produto. Por exemplo, em algumas propagandas de fast-food, suas glândulas salivares são estimuladas quando olham o alimento.
Outra estratégia é o uso de músicas contagiantes ou terceirização por ações filantrópicas (como cuidar do ambiente, ajudar pessoas carentes etc), que muitas vezes não correspondem ao que é anunciado pela propaganda. É necessário, portanto despertar o senso crítico, principalmente, no público infantil, pois eles são os principais influenciados por comerciais de TV e constituirão a futura sociedade ativa das nações, não devendo ser, portanto, pessoas altamente influenciadas, alienadas e consumidoras incontroláveis de produtos nocivos



domingo, 29 de junho de 2014

Obesidade infanto-juvenil - 3

Dando continuidade ao nosso ultimo post sobre obesidade infanto-juvenil, hoje abordaremos um pouco mais sobre a influência propagandista que contribui para a grande pandemia de obesidade que assola todo o mundo.
No filme muito além do peso, mostrado e abordado na postagem passada, assistimos todo o tempo a propagandas de algumas empresas alimentícias. Percebe-se que essas propagandas apresentam sempre imagens super coloridas, em ambientes felizes, músicas cativantes alegres, e, em algumas empresas de fast foods, há sempre a apresentação de brinquedos de personagens de filmes infantis. Tudo isso, para a criança, é um chamativo para a diversão, e não para comida, sendo esta apenas a conseqüência final de todo o processo persuasivo.

Em uma pesquisa feita por cientistas da universidade de Missouri, conclui-se que a publicidade midiática em uma alimentação rica em açúcar ou sódio afeta mais as crianças obesas do que as que têm peso normal. Crianças com peso acima do adequado tiveram ativações maiores em regiões cerebrais  responsáveis por recompensar, quando eram vistas as marcas dos alimentos. Por outro lado, crianças com peso saudável tiveram maiores atividades em áreas que estavam ligadas com o autocontrole. Isso evidencia um efeito cascata, no qual a obesidade infantil só tende a aumentar em crianças já obesas.



Em propagandas e informações nutricionais de fast foods, nunca aparece o nome açúcar como um dos ingredientes (principal ingrediente na verdade), e sim, carboidratos. De fato, está correto, contudo, a empresa é responsável por atingir um grande contingente de pessoas das mais diversas classes sociais e muitas não possuem conhecimento do que seja carboidrato ou que açúcar é carboidrato, como se vê no filme Muito além do peso. Os carboidratos possuem grande capacidade metabólica: são importantes na respiração aeróbica e nos diversos tipos de fermentação, visto que a glicose pode se transformar em glicose 6P e ir de encontro a diversas vias metabólicas distintas como via das pentoses, glicólise (piruvato), gliconeogênese entre outros. Em excesso, o estoque em glicogênio fica saturado e carboidratos passam a se transformar em tecido adiposo contribuindo para a obesidade.
Conclui-se, portando, que propagandas estão extremamente abusivas, pois oferecem um produto nocivo a saúde enquanto utilizam recursos persuasivos, como brinquedos, de forma a alienar a criança e o jovem e o induzir a consumir o produto. Televisões em casa, são, hoje, as babás das crianças, contudo, é necessário saber que, junto com seu filho não está apenas uma TV, e sim um grande produtor de marketing formado em Harvard sedento de lucro. Cabe a nós e ao governo, discutir esse pensamento, a fim de ajudar a redução da obesidade infanto-juvenil como um todo.


domingo, 22 de junho de 2014


Continuando o tema sobre obesidade infanto-juvenil, iremos agora e na próxima postagem relatar fatos e pesquisas relacionados ao filme muito além do peso. Este é um documentário que aborda aspectos da obesidade infantil, relacionando-as suas causas a aspectos governamentais e comportamentais, e, por incrível que pareça todos eles estão relacionados a mídia e ao marketing principalmente televisivo. ( o filme está disponível no fim do post) geladeiras, caminhões e alimentos processados que precisavam de investimentos rentáveis.
Segundo o filme, o aumento gigantesco da obesidade teve início nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. Antes, as pessoas preparavam seus próprios alimentos, contudo, após a guerra vieram muitas tecnologias como: geladeiras, caminhões e alimentos processados que precisavam de investimentos rentáveis. Começando nos EUA e se espalhando por todo o mundo os alimentos industrializados, aliados aos seus respectivos recursos de marketing, foram tomando conta de praticamente toda classe social, nação e cultura.
A obesidade atinge de forma alarmante as crianças e, por conseqüência, teremos maior probabilidade de possuir gerações obesas, visto que em quase todos os lares do mundo essa alimentação artificial e industrializada se faz presente. Assim, também se originou grandes problemas para as condições de vida e saúde da sociedade.

O Palestrante que aparece no começo do filme adverte que os nossos filhos irão viver 10 (anos) a menos por causa da alimentação. Percebe-se também que crianças não mais reconhecem os nomes de legumes, porém estão a par de todas as marcas e sabores das batatinhas crocantes.



 Vê-se no filme uma comparação bastante surpreendente e desconhecida de muitas pessoas: três latas de coca-cola por semana, durante um mês, equivale a 6 copos  de 300 ml cheios de açúcar. Isso é extremamente prejudicial ao organismo, porque, tendo em vista nossas vias metabólicas, os carboidratos (açúcares), quando saturadas nossas reservas em glicogênio, eles tendem a se transformar em lipídeos, que se depositam abundantemente em nosso tecido subcutâneo e vasos sanguíneos, sendo extremamente prejudicial a saúde.
Na próxima postagem continuaremos a abordar os aspectos do filme, a respeito da obesidade infanto-juvenil e sua extrema relação com os aspectos de marketing e da mídia. Segue abaixo o vídeo do filme, vale a pena assistir para se informar sobre essa triste realidade que assola o mundo inteiro.

Fonte:

terça-feira, 3 de junho de 2014

Obesidade Infanto-juvenil 1

Crianças e adolescentes tendem a prevenir o ganho excessivo de peso mais facilmente que adultos pois estão crescendo e têm maior possibilidade de gastar energia em atividades de lazer. Entretanto, não se consegue superar os muitos fatores que concorrem para a crescente onda de obesidade infanto-juvenil. Aspectos importantes, como o papel da indústria de alimentos, das cadeias de fast food, das propagandas, de um estilo de vida que mantêm as crianças cada vez mais sedentárias e submetidas a um hiperconsumo calórico, têm espaço nos estudos tradicionais a respeito do tema. A respeito desse tema, longo e abrangente é que abordaremos nesta e em algumas próximas postagens.

Com o surgimento do segmento a publicidade voltada ao público infantil procura usar ações diretas e indiretas para seduzir a criança e torná-la consumidora de bens e serviços. Este fenômeno surge ao mesmo tempo em que a televisão destaca a programação infantil em sua grade. Logo, a criança deixa de ser interesse exclusivo dos pais e educadores, passando a alvo do interesse da mídia, da propaganda e do marketing. A obesidade associa-se a um elevado custo financeiro, e os custos diretos das hospitalizações associadas à obesidade no Brasil indicam que os percentuais de gastos são similares aos de países desenvolvidos. Entre adolescentes vale ainda salientar o custo emocional da obesidade em uma sociedade que valoriza o ser muito magro como exemplo de beleza, no qual, nisso tudo, a mídia possui um grande destaque.





Maior tempo gasto em frente à televisão e ao computador são condutas sedentárias que têm sido relacionadas ao ganho de peso e obesidade na infância. Pesquisas que avaliaram o impacto da televisão no sobrepeso/obesidade tornaram-se populares após 1985, quando Dietz & Gortmaket encontraram uma associação positiva entre o tempo gasto assistindo à televisão e obesidade entre as crianças. Desde então, alguns mecanismos têm sido propostos na tentativa de explicar essa relação: diminuição do tempo gasto com atividade física; aumento do consumo de lanches rápidos e, conseqüentemente, maior consumo calórico; as propagandas veiculadas na televisão exercem uma influência negativa nas escolhas e atitudes com relação ao alimento pelas crianças. Entretanto, a contribuição relativa de cada um desses mecanismos para a obesidade é desconhecida.

Infelizmente, quando uma criança é obesa, mesmo que ela emagreça, suas probabilidades de engordar quando adulta são muito grandes, visto que os adipócitos no corpo humano são formados quando crianças, não aumentando em números na idade adulta. Ou seja, uma criança obesa desenvolve muitas células adipócitas (ricas em triglicerídeos e colesterol que são muito prejudiciais para a saúde quando em excesso), que persistirão quando adulto e não diminuirão de quantidade, apenas terão menos gordura em suas células. 













domingo, 25 de maio de 2014

Manipulação alcoólica

             Hoje abordaremos a respeito da publicidade de bebidas alcoólicas e os efeitos decorrentes disso no nosso dia-a-dia. Começando por uma análise básica e bem evidente, a estratégia publicitária da indústria de bebidas alcoólicas alia a bebida ao esporte, à conquistas amorosas e de status, misturando realidade com o apelo ao uso das bebidas. É fato que, apenas nas propagandas, álcool, beleza e sucesso são sinônimos.
            A propaganda é feita para influenciar pessoas, portanto é uma área muito difícil de ser trabalhada sem uma “sacanagenzinha”. Em propagandas de cerveja, por exemplo, algumas das estratégias utilizadas são um círculo de pessoas felizes tomando a cerveja, sempre com mulheres bonitas em destaque. Contudo, como nem tudo é flores, os problemas decorrentes da ingestão do álcool são muito graves como acidentes, afastamento médico, beber na gestação, obesidade (explicado pelo mecanismo de metabolismo do álcool abordado abaixo) e dependências (Pesquisas demonstram que o consumo excessivo de álcool compromete, principalmente, o sistema nervoso central, podendo afetar também o aparelho reprodutor).



             O álcool depois de absorvido pelo trato gastrintestinal é transportado através da circulação portal ao fígado onde é oxidado. Apenas 2% a 10% da quantidade absorvida é eliminada pelos rins e pulmões. No hepatócito, há três vias metabólicas com a capacidade de oxidar o etanol em aldeído acético: (1ª) o sistema da enzima álcool dehidrogenase (ADH) na matriz citoplasmática, (2ª) o sistema microssomal de oxidação do etanol (MEOS) no retículo endoplasmático liso e o da (3ª) catalase nos peroxissomos. O sistema da ADH é responsável pela eliminação do álcool produzido pela fermentação bacteriana no intestino e é a principal via metabólica para a transformação do etanol em aldeído acético. A ADH está localizada principalmente no fígado, porém foi encontrada também no testículo e estômago. Independente da via metabólica, o etanol é convertido em aldeído acético e depois em acetato. O acetato é lançado na corrente sanguínea, sendo rapidamente metabolizado nos tecidos extra-hepáticos em dióxido de carbono e água.
            Na oxidação do etanol mediada pela ADH e a do aldeído acético( mediada pela ALDH), há transferência de íons de hidrogênio do etanol para o co-fator nicotiamida adenina dinucleotídeo (NAD+), sendo convertido para sua forma reduzida NADH2. Nesses processos, há excesso de NADH2 na matriz citoplasmática do hepatócito, alterando-se a homeostase celular. A manifestação mais freqüentemente relatada no uso excessivo do álcool é o fígado gorduroso. A atividade do ciclo do ácido cítrico fica deprimida, pois as mitocôndrias utilizam os equivalentes de hidrogênio, originadas no metabolismo do etanol, como fonte de energia, em detrimento dos derivados do metabolismo dos ácidos graxos. A diminuição da oxidação dos ácidos graxos resulta no acúmulo hepático de lipídio, sendo um grande fator gerador de obesidade.
                                                              metabolismo alcoólico
         Seja pela intensidade e freqüência com que bombardeia o atual consumidor, através dos seus efeitos neurocomportamentais devido à sua interferência nos circuitos emocionais (serão abordados na próxima postagem), o certo é que a publicidade de bebidas alcoólicas é um dos importantes fatores influenciadores dos hábitos de consumo de álcool da população, em particular entre os mais jovens. Seu papel estratégico não pode e não deve ser menosprezado. Características como quão atraentes as propagandas são para esse segmento e suas exposições a elas relacionam-se com uma maior expectativa de consumo futuro e com um consumo maior e mais precoce por adolescentes.
        O conhecimento atual sobre o tema indica que a redução da exposição à publicidade tem impacto positivo e sobre o consumo de álcool, principalmente entre os mais jovens, justamente a população mais vulnerável. É necessário que se tenha uma idéia melhor sobre as bebidas alcoólicas e uma regulação maior a respeito da publicidade e comercialização, afim de diminuir o efeito prejudicial das propagandas quase sempre enganosas e alienadoras.

sábado, 17 de maio de 2014

Podemos não perceber, mas estamos sendo diariamente manipulados pela mídia, tanto em pensamentos ideológicos, quanto em aspectos consumistas, principalmente por aquelas na qual o produto oferecido é o alimento. Recentemente vi um comercial de uma famosa empresa de fast food, e fiquei surpreso com hipocrisia de tal propaganda: a própria empresa visualiza sua influência na “manipulação” de mentes (segue abaixo o vídeo). Isso pode até parecer exagero, mas essa linha de produção de alimentos veiculados a grandiosas empresas alimentícias, reflete diretamente na atual condição da saúde social, aumentando diariamente o número de obesos e doentes cardiovasculares.


            Em uma pesquisa feita por psicólogos da universidade de São Paulo, verificou-se que de 1.395 anúncios publicitários envolvendo produtos alimentícios, 57,8% estão no grupo da pirâmide alimentar que compreende lipídeos (gorduras e óleos) e carboidratos (açúcares), típicos de fast foods. Esses tipos alimentícios estão intimamente relacionados com lipoproteína de baixa densidade (colesterol ruim) e pressão arterial sistólica e diastólica, o que promove obesidade e hipertensão arterial.
            Entre os anos de 1988 e 1996 (uma das épocas de maior ascensão da TV colorida), foram observados vários traços negativos e surpreendentes na “evolução” do padrão alimentar no Brasil. Houve uma tendência crescente na presença de calorias lipídicas e de ácidos graxos saturados (a inexistência de duplas ligações faz grande diferença no metabolismo lipídico, sendo mais difícil sua “retirada” do organismo) em algumas regiões brasileiras, ao mesmo tempo em que se reduzia o consumo de leguminosas, verduras, frutas e sucos naturais.


      A TV é um dos principais meios publicitários da atualidade e que, infelizmente, está contribuindo para um contingente cada vez maior de pessoas obesas e sedentárias, manipulando, de fato, nossa fome e modo de vida. A contínua ingestão de sal, açúcar e gorduras estão gerando cidadãos e principalmente crianças menos saudáveis e mais suscetíveis a doenças de diversos aspectos, principalmente cardiovasculares.

Você que está lendo esta postagem e que acompanhará esse blog, espero que possa pensar mais sobre o assunto e, se for o caso, mudar sua visão de mundo e hábitos alimentares. #nãomereçosermanipulado!!

         

Fontes: