domingo, 29 de junho de 2014

Obesidade infanto-juvenil - 3

Dando continuidade ao nosso ultimo post sobre obesidade infanto-juvenil, hoje abordaremos um pouco mais sobre a influência propagandista que contribui para a grande pandemia de obesidade que assola todo o mundo.
No filme muito além do peso, mostrado e abordado na postagem passada, assistimos todo o tempo a propagandas de algumas empresas alimentícias. Percebe-se que essas propagandas apresentam sempre imagens super coloridas, em ambientes felizes, músicas cativantes alegres, e, em algumas empresas de fast foods, há sempre a apresentação de brinquedos de personagens de filmes infantis. Tudo isso, para a criança, é um chamativo para a diversão, e não para comida, sendo esta apenas a conseqüência final de todo o processo persuasivo.

Em uma pesquisa feita por cientistas da universidade de Missouri, conclui-se que a publicidade midiática em uma alimentação rica em açúcar ou sódio afeta mais as crianças obesas do que as que têm peso normal. Crianças com peso acima do adequado tiveram ativações maiores em regiões cerebrais  responsáveis por recompensar, quando eram vistas as marcas dos alimentos. Por outro lado, crianças com peso saudável tiveram maiores atividades em áreas que estavam ligadas com o autocontrole. Isso evidencia um efeito cascata, no qual a obesidade infantil só tende a aumentar em crianças já obesas.



Em propagandas e informações nutricionais de fast foods, nunca aparece o nome açúcar como um dos ingredientes (principal ingrediente na verdade), e sim, carboidratos. De fato, está correto, contudo, a empresa é responsável por atingir um grande contingente de pessoas das mais diversas classes sociais e muitas não possuem conhecimento do que seja carboidrato ou que açúcar é carboidrato, como se vê no filme Muito além do peso. Os carboidratos possuem grande capacidade metabólica: são importantes na respiração aeróbica e nos diversos tipos de fermentação, visto que a glicose pode se transformar em glicose 6P e ir de encontro a diversas vias metabólicas distintas como via das pentoses, glicólise (piruvato), gliconeogênese entre outros. Em excesso, o estoque em glicogênio fica saturado e carboidratos passam a se transformar em tecido adiposo contribuindo para a obesidade.
Conclui-se, portando, que propagandas estão extremamente abusivas, pois oferecem um produto nocivo a saúde enquanto utilizam recursos persuasivos, como brinquedos, de forma a alienar a criança e o jovem e o induzir a consumir o produto. Televisões em casa, são, hoje, as babás das crianças, contudo, é necessário saber que, junto com seu filho não está apenas uma TV, e sim um grande produtor de marketing formado em Harvard sedento de lucro. Cabe a nós e ao governo, discutir esse pensamento, a fim de ajudar a redução da obesidade infanto-juvenil como um todo.


domingo, 22 de junho de 2014


Continuando o tema sobre obesidade infanto-juvenil, iremos agora e na próxima postagem relatar fatos e pesquisas relacionados ao filme muito além do peso. Este é um documentário que aborda aspectos da obesidade infantil, relacionando-as suas causas a aspectos governamentais e comportamentais, e, por incrível que pareça todos eles estão relacionados a mídia e ao marketing principalmente televisivo. ( o filme está disponível no fim do post) geladeiras, caminhões e alimentos processados que precisavam de investimentos rentáveis.
Segundo o filme, o aumento gigantesco da obesidade teve início nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. Antes, as pessoas preparavam seus próprios alimentos, contudo, após a guerra vieram muitas tecnologias como: geladeiras, caminhões e alimentos processados que precisavam de investimentos rentáveis. Começando nos EUA e se espalhando por todo o mundo os alimentos industrializados, aliados aos seus respectivos recursos de marketing, foram tomando conta de praticamente toda classe social, nação e cultura.
A obesidade atinge de forma alarmante as crianças e, por conseqüência, teremos maior probabilidade de possuir gerações obesas, visto que em quase todos os lares do mundo essa alimentação artificial e industrializada se faz presente. Assim, também se originou grandes problemas para as condições de vida e saúde da sociedade.

O Palestrante que aparece no começo do filme adverte que os nossos filhos irão viver 10 (anos) a menos por causa da alimentação. Percebe-se também que crianças não mais reconhecem os nomes de legumes, porém estão a par de todas as marcas e sabores das batatinhas crocantes.



 Vê-se no filme uma comparação bastante surpreendente e desconhecida de muitas pessoas: três latas de coca-cola por semana, durante um mês, equivale a 6 copos  de 300 ml cheios de açúcar. Isso é extremamente prejudicial ao organismo, porque, tendo em vista nossas vias metabólicas, os carboidratos (açúcares), quando saturadas nossas reservas em glicogênio, eles tendem a se transformar em lipídeos, que se depositam abundantemente em nosso tecido subcutâneo e vasos sanguíneos, sendo extremamente prejudicial a saúde.
Na próxima postagem continuaremos a abordar os aspectos do filme, a respeito da obesidade infanto-juvenil e sua extrema relação com os aspectos de marketing e da mídia. Segue abaixo o vídeo do filme, vale a pena assistir para se informar sobre essa triste realidade que assola o mundo inteiro.

Fonte:

terça-feira, 3 de junho de 2014

Obesidade Infanto-juvenil 1

Crianças e adolescentes tendem a prevenir o ganho excessivo de peso mais facilmente que adultos pois estão crescendo e têm maior possibilidade de gastar energia em atividades de lazer. Entretanto, não se consegue superar os muitos fatores que concorrem para a crescente onda de obesidade infanto-juvenil. Aspectos importantes, como o papel da indústria de alimentos, das cadeias de fast food, das propagandas, de um estilo de vida que mantêm as crianças cada vez mais sedentárias e submetidas a um hiperconsumo calórico, têm espaço nos estudos tradicionais a respeito do tema. A respeito desse tema, longo e abrangente é que abordaremos nesta e em algumas próximas postagens.

Com o surgimento do segmento a publicidade voltada ao público infantil procura usar ações diretas e indiretas para seduzir a criança e torná-la consumidora de bens e serviços. Este fenômeno surge ao mesmo tempo em que a televisão destaca a programação infantil em sua grade. Logo, a criança deixa de ser interesse exclusivo dos pais e educadores, passando a alvo do interesse da mídia, da propaganda e do marketing. A obesidade associa-se a um elevado custo financeiro, e os custos diretos das hospitalizações associadas à obesidade no Brasil indicam que os percentuais de gastos são similares aos de países desenvolvidos. Entre adolescentes vale ainda salientar o custo emocional da obesidade em uma sociedade que valoriza o ser muito magro como exemplo de beleza, no qual, nisso tudo, a mídia possui um grande destaque.





Maior tempo gasto em frente à televisão e ao computador são condutas sedentárias que têm sido relacionadas ao ganho de peso e obesidade na infância. Pesquisas que avaliaram o impacto da televisão no sobrepeso/obesidade tornaram-se populares após 1985, quando Dietz & Gortmaket encontraram uma associação positiva entre o tempo gasto assistindo à televisão e obesidade entre as crianças. Desde então, alguns mecanismos têm sido propostos na tentativa de explicar essa relação: diminuição do tempo gasto com atividade física; aumento do consumo de lanches rápidos e, conseqüentemente, maior consumo calórico; as propagandas veiculadas na televisão exercem uma influência negativa nas escolhas e atitudes com relação ao alimento pelas crianças. Entretanto, a contribuição relativa de cada um desses mecanismos para a obesidade é desconhecida.

Infelizmente, quando uma criança é obesa, mesmo que ela emagreça, suas probabilidades de engordar quando adulta são muito grandes, visto que os adipócitos no corpo humano são formados quando crianças, não aumentando em números na idade adulta. Ou seja, uma criança obesa desenvolve muitas células adipócitas (ricas em triglicerídeos e colesterol que são muito prejudiciais para a saúde quando em excesso), que persistirão quando adulto e não diminuirão de quantidade, apenas terão menos gordura em suas células.