Crianças e adolescentes tendem a prevenir o ganho excessivo de peso mais facilmente que adultos pois estão crescendo e têm maior possibilidade de gastar energia em atividades de lazer. Entretanto, não se consegue superar os muitos fatores que concorrem para a crescente onda de obesidade infanto-juvenil. Aspectos importantes, como o papel da indústria de alimentos, das cadeias de fast food, das propagandas, de um estilo de vida que mantêm as crianças cada vez mais sedentárias e submetidas a um hiperconsumo calórico, têm espaço nos estudos tradicionais a respeito do tema. A respeito desse tema, longo e abrangente é que abordaremos nesta e em algumas próximas postagens.
Com o surgimento do segmento a publicidade voltada ao público infantil procura usar ações diretas e indiretas para seduzir a criança e torná-la consumidora de bens e serviços. Este fenômeno surge ao mesmo tempo em que a televisão destaca a programação infantil em sua grade. Logo, a criança deixa de ser interesse exclusivo dos pais e educadores, passando a alvo do interesse da mídia, da propaganda e do marketing. A obesidade associa-se a um elevado custo financeiro, e os custos diretos das hospitalizações associadas à obesidade no Brasil indicam que os percentuais de gastos são similares aos de países desenvolvidos. Entre adolescentes vale ainda salientar o custo emocional da obesidade em uma sociedade que valoriza o ser muito magro como exemplo de beleza, no qual, nisso tudo, a mídia possui um grande destaque.
Maior tempo gasto em frente à televisão e ao computador são condutas sedentárias que têm sido relacionadas ao ganho de peso e obesidade na infância. Pesquisas que avaliaram o impacto da televisão no sobrepeso/obesidade tornaram-se populares após 1985, quando Dietz & Gortmaket encontraram uma associação positiva entre o tempo gasto assistindo à televisão e obesidade entre as crianças. Desde então, alguns mecanismos têm sido propostos na tentativa de explicar essa relação: diminuição do tempo gasto com atividade física; aumento do consumo de lanches rápidos e, conseqüentemente, maior consumo calórico; as propagandas veiculadas na televisão exercem uma influência negativa nas escolhas e atitudes com relação ao alimento pelas crianças. Entretanto, a contribuição relativa de cada um desses mecanismos para a obesidade é desconhecida.
Infelizmente, quando uma criança é obesa, mesmo que ela emagreça, suas probabilidades de engordar quando adulta são muito grandes, visto que os adipócitos no corpo humano são formados quando crianças, não aumentando em números na idade adulta. Ou seja, uma criança obesa desenvolve muitas células adipócitas (ricas em triglicerídeos e colesterol que são muito prejudiciais para a saúde quando em excesso), que persistirão quando adulto e não diminuirão de quantidade, apenas terão menos gordura em suas células.


Post muito pertinente levando em conta a realidade brasileira, que, apesar dos muitos quadros de desnutrição, apresenta percentagem de obesos semelhante à dos Estados Unidos.
ResponderExcluirEssas crianças obesas têm maior propensão a hipertensão, diabetes, transtornos cardíacos, respiratórios e ortopédicos; cerca de 50% delas apresentam alterações da taxa de colesterol; 47,5% dessas crianças têm níveis diminuídos de HDL e 20,5% têm níveis elevados de LDL. Além disso, de cada quatro crianças obesas não tratadas, três vão transformar-se em adultos obesos. Entre os adolescentes, a estatística é ainda mais impiedosa: 27 de 28 casos não tratados serão adultos obesos.
Assim, não só é um problema bem atual e sério, a obesidade infantil será levada "para frente", gerando um geração inteira (crianças e adultos) de obesos e, consequentemente, de pessoas mais doentes.
Antes de pensarmos na obesidade como um fator anti estético temos que pensar na obesidade como fator anti saúde. E quando falo em saúde não me contenho apenas à saúde física. Ser gordo pode acarretar problemas psíquicos assim como pode ser acarretado por eles. Em um mundo que exige cada vez mais das pessoas, ser ansioso está se tornando algo corriqueiro e comer é a forma de tratamento para muitos. Neste ponto pode-se pensar numa influência além-mídia para a obesidade. Vê-se, então, como alterações nos neurotransmissores, principalmente serotonina, noradrenalina e dopamina, são causadoras de obesidade.
ResponderExcluirAcho importante ressaltar que os modelos estéticos impostos pela sociedade desvirtuaram nossos conceitos de saúde. Nem todas as pessoas consideradas fora do padrão ou gordas são doentes, nem todas as pessoas que se encaixam no que se diz 'beleza' ou magras são saudáveis. Claro que no caso da obesidade, conceituada como doença, essa associação se faz plausível, mas é revoltante que se use de generalizações.Se uma pessoa com IMC ligeiramente acima de 30, praticar atividade física regular, controlar os níveis de açúcar e colesterol no sangue e não fumar, provavelmente estará numa zona de risco muito menor do que uma pessoa com IMC considerado normal, sedentário, fumante e estressado.
ResponderExcluirO peculiar sobre a obesidade é que mídia tem fator dual sobre seu estabelecimento: ela estimula a criança a ter hábitos sedentários e de alimentação hipercalórica e ao mesmo tempo repudia a criança produto de seu modo de vida, isto é, a criança obesa.De acordo com pesquisa desenvolvida pela dra. Sandra Villares no Hospital das Clínicas da USP, 40% das crianças obesas têm hipercolesterolemia, isto é, níveis de colesterol elevados, e 30% têm HDL baixo e triglicérides alto. É preciso pensar que, quando se fala em 40%, estamos nos referindo a praticamente metade das crianças obesas com problemas de saúde associados à obesidade.No passado, a maior parte das crianças desenvolvia diabetes do tipo I e só 3%, diabetes do tipo II. Hoje, 50% desenvolvem a doença imunológica por falta de insulina (o tipo I) e 50%, diabetes tipo II ligado à resistência à insulina (o tipo mais encontrado nos adultos). O modo de vida difundido pela mídia parece desvirtuar conceitos de saúde e desprezar tais dados epidemiológicos alarmantes.
ResponderExcluirAlém das causas demonstradas na postagem, vale lembrar que parte do problema surge do descaso de pais com a educação alimentar de seus filhos. Muitos pais não se preocupam em garantir uma refeição saudável e balanceada para seus filhos, talvez pela rotina estressante, talvez por serem pais relaxados. O fato é que, para solucionar o problema, recorrem aos fast-foods e alimentos congelados. Tais alimentos possuem, por exemplo, alto teor de sódio, responsável pelo aumento da pressão arterial e pressão osmótica das células dessas crianças devido ao aumento drástico de concentração. Aliamos esses fatores à falta de exercícios físicos dessa nova geração, tais exercícios que resultam na queima, primeiramente, de carboidratos de queima rápida, depois de carboidratos de queima longa e, após longo tempo como 10 minutos de corrida em uma esteira, lipídeos.
ResponderExcluirA publicidade frente ao consumidor infantil demonstra a preocupação de fazer menção a determinado assunto, em face de a criança ser considerada pessoa em desenvolvimento e vulnerável mediante as relações de consumo. A ideia central é analisar a publicidade no seu todo, dando enfoque à publicidade de alimentos, que possuem o objetivo de envolver e induzir a criança, já considerada como importante consumidora, com ativa participação no mercado de consumo. Essa problemática insere-se no Brasil dentro de um quadro jurídico de especial proteção da criança como consumidora, na qual suas consequências são de suma importância para o Direito.
ResponderExcluirÉ necessário ressaltar que não se pretende esgotar as vias de pesquisa do assunto ora proposto, mas sim, analisar de forma substancial o conteúdo da publicidade em relação ao ordenamento jurídico brasileiro a qual necessita, pela sua importância, de estudos e reflexões mais aprofundados.
De um modo geral, crianças e adolescentes não têm maturidade suficiente para controlar suas decisões de compra e acabam dando preferência para a compra e consumo de guloseimas, pobres em substâncias nutritivas, acarretando, com frequência, a obesidade infantil. O aumento da obesidade infantil pode estar relacionado com a influência negativa do marketing, assim como foi apontado na postagem.
ResponderExcluir