Hoje abordaremos a respeito da
publicidade de bebidas alcoólicas e os efeitos decorrentes disso no nosso
dia-a-dia. Começando por uma análise básica e bem evidente, a estratégia publicitária da indústria
de bebidas alcoólicas alia a bebida ao esporte, à conquistas amorosas e de
status, misturando realidade com o apelo ao uso das bebidas. É fato que,
apenas nas propagandas, álcool, beleza e sucesso são sinônimos.
A
propaganda é feita para influenciar pessoas, portanto é uma área muito difícil
de ser trabalhada sem uma “sacanagenzinha”. Em propagandas de cerveja, por
exemplo, algumas das estratégias utilizadas são um círculo de pessoas felizes
tomando a cerveja, sempre com mulheres bonitas em destaque. Contudo ,
como nem tudo é flores, os
problemas decorrentes da ingestão do álcool são muito graves como acidentes,
afastamento médico, beber na gestação, obesidade (explicado pelo mecanismo de
metabolismo do álcool abordado abaixo) e dependências (Pesquisas demonstram que
o consumo excessivo de álcool compromete, principalmente, o sistema nervoso
central, podendo afetar também o aparelho reprodutor).
O álcool depois de absorvido pelo trato gastrintestinal é
transportado através da circulação portal ao fígado onde é oxidado. Apenas 2% a
10% da quantidade absorvida é eliminada pelos rins e pulmões. No hepatócito, há
três vias metabólicas com a capacidade de oxidar o etanol em aldeído acético:
(1ª) o sistema da enzima álcool dehidrogenase (ADH) na matriz citoplasmática,
(2ª) o sistema microssomal de oxidação do etanol (MEOS) no retículo
endoplasmático liso e o da (3ª) catalase nos peroxissomos. O sistema da ADH é responsável
pela eliminação do álcool produzido pela fermentação bacteriana no intestino e
é a principal via metabólica para a transformação do etanol em
aldeído acético. A ADH está localizada principalmente no fígado, porém foi
encontrada também no testículo e estômago. Independente da via metabólica, o etanol
é convertido em aldeído acético e depois em acetato. O acetato é
lançado na corrente sanguínea, sendo rapidamente metabolizado nos tecidos
extra-hepáticos em dióxido de carbono e água.
Na oxidação
do etanol mediada pela ADH e a do aldeído acético( mediada pela ALDH), há
transferência de íons de hidrogênio do etanol para o co-fator nicotiamida
adenina dinucleotídeo (NAD+), sendo convertido para sua forma reduzida NADH2.
Nesses processos, há excesso de NADH2 na matriz citoplasmática
do hepatócito, alterando-se a homeostase celular. A manifestação mais freqüentemente
relatada no uso excessivo do álcool é o fígado gorduroso. A atividade do ciclo do ácido cítrico
fica deprimida, pois as mitocôndrias utilizam os equivalentes de hidrogênio, originadas
no metabolismo do etanol, como fonte de energia, em detrimento dos derivados do
metabolismo dos ácidos graxos. A diminuição da oxidação dos ácidos graxos resulta
no acúmulo hepático de lipídio, sendo um grande fator gerador de obesidade.
metabolismo alcoólico
Seja
pela intensidade e freqüência com que bombardeia o atual
consumidor, através dos seus efeitos
neurocomportamentais devido à sua interferência nos circuitos emocionais (serão abordados na próxima postagem),
o certo é que a publicidade de bebidas alcoólicas é um dos importantes fatores
influenciadores dos hábitos de consumo de álcool da população, em particular
entre os mais jovens. Seu papel estratégico não pode e não deve ser
menosprezado. Características como quão atraentes as propagandas são para esse
segmento e suas exposições a elas relacionam-se com uma maior expectativa de
consumo futuro e com um consumo maior e mais precoce por adolescentes.
O
conhecimento atual sobre o tema indica que a redução da exposição à publicidade
tem impacto positivo e sobre o consumo de álcool, principalmente entre os mais
jovens, justamente a população mais vulnerável. É necessário que se tenha uma idéia
melhor sobre as bebidas alcoólicas e uma regulação maior a respeito da
publicidade e comercialização, afim de diminuir o efeito prejudicial das propagandas
quase sempre enganosas e alienadoras.


Não sei porque ainda não proibiram essa propaganda enganosa do álcool na TV (não qualquer tipo de propaganda, mas sim como ela nos é mostrada). A indústria de bebidas criou uma "mina de ouro" ao juntar aceitação social e efeitos psicotrópicos. Beber não é algo ruim em si, mas não deve ser banalizada.
ResponderExcluirLegal! É interessante trazer à discussão o grande efeito daquela frase: "Bebo socialmente". Como se a sociedade forçasse alguém a beber. E força. Força por meio não só das propagandas. Força por meio de grupos sociais que se formam. O grupo dos que bebem e dos que não bebem. E, aparentemente, eles não se misturam. E é sempre bom lembrar, também, da cirrose. A transformação do tecido hepático em fibroso. Além disso, o alcoolismo pode causar, também, carência de vitaminas. Entre elas a tiamina, a B1, cuja fórmula química é C12H17N4OS.
ResponderExcluirA mídia parece ser o principal meio de fluxos de informações e estilos de vida do século XXI. Entretanto, nem sempre usa seu poder para o bem: há ocasiões em que promove atitudes/produtos potencialmente nocivos somente devido à busca pelo lucro. No caso do álcool, esta droga além de estar associada a doenças crônicas, como as cardiovasculares, também bloqueia importantes processos do organismo, como a secreção do hormônio anti-diurético(ADH) pela hipófise. Cabe ao governo e seus órgãos subordinados agir como "peneira" sobre a mídia e prevenir o alarde de hábitos nocivos aos telespectadores.
ResponderExcluirImportante ressaltar também a influência enorme que essas propagandas exercem nos adolescentes, que não possuem idade legal para utilizar bebidas alcoólicas e cujo organismos são afetados de maneira mais severa do que o dos adultos. Pesquisas como a que foi realizada em três escolas públicas de São Bernardo do Campo (SP) pela USP, ainda em 2006, mostram que muitos desses adolescentes acreditam nas associações entre beleza, status e bebida sugeridas pela mídia, levando para suas vidas o que veem nos meios de comunicação. Certamente o governo precisa repensar suas legislação quanto a essa questão.
ResponderExcluirÉ perceptível essa discrepância entre o que é mostrado pela mídia e a realidade do mesmo. Sabemos, por exemplo, que nenhuma dessas mulheres consomem realmente o que dizem consumir, pois sabem que não teriam tais corpos com essa atitude. O alcoolismo, assunto abordado até mesmo no Exame Nacional do Ensino Médio, causa um grande defícit público nas áreas da saúde e da reconstrução do patrimônio público, no entanto, para a Legislação, acrescentar na propaganda um slogan ''Se dirigir não beba'' é suficiente para resolver toda essa mazela. Vale ressaltar que o fígado cosegue metabolizar apenas uma dose de 40 ml de destilado por hora e o forte poder depressor do álcool no SNC ao afetar neurotransmissores imporatntes como o GABA e a serotonina
ResponderExcluirCreio que seria interessante comparar a idealização presente nas propagandas de bebidas alcoólicas atualmente às de cigarro na década de 70. Tanto a nicotina quanto o álcool, ainda que lícitas, são responsáveis por uma parcela absurdamente grande de dependentes na população mundial, devido aos mecanismos de liberação de neurotransmissores ligados ao prazer desencadeados por ambos. Tendo isso em vista, propagandas persuasivas e manipuladoras nada mais são do que a porta de entrada para uma vida de dependência. Felizmente, as propagandas de cigarro foram combatidas e hoje não são mais permitidas como antigamente, entretanto, como mostrado na postagem, o álcool ainda se encontra distante dessa meta.
ResponderExcluirApesar de a primeira vista parecer um dos grandes responsáveis pela aceitabilidade social dessa droga, estudos recentes indicam o contrário. Nessas pesquisas, aponta-se para o fato de que as propagandas de bebidas alcoólicas (a pesquisa foi feita unicamente em publicidade na TV) tem pouca ou nenhuma influencia no consumo destas de modo geral; assim, por ser um problema sério, o consumo exagerado de alcool deve ser combatido, procurando-se, no entanto, atingi-lo de forma mais efetiva do que, por exemplo, proibindo a publicidade ou limitando-a.
ResponderExcluirO álcool não poderia ser uma ferramenta de venda mais promissora: as propagandas de bebidas alcoólicas sempre estão associadas a prazer, belas companhias e integração social. Percebe-se assim, que quando um jovem ingere álcool, ele está "ingerindo" o estilo de vida que aquele produto pode lhe proporcionar. Isso já aconteceu com o cigarro nas décadas de 70 e 80. O que não se fala, no entanto, é como o álcool é uma droga de poder potencialmente perigoso, impedindo a ocorrência normal de processos metabólicos do corpo, sobrecarregando o fígado e podendo causar dependência, além de doenças como cirrose hepática. Mas quem vai prestar atenção nisso numa sociedade em que a aceitação das outras pessoas é pré-requisito para a felicidade?
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